Ler e pensar


A rebelião das massas

 

LUÍS NASSIF

A eleição de representantes do baixo clero na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa de São Paulo faz parte de um processo histórico muito mais complexo, amplo e perigoso do que meramente folclórico.
Nas modernas democracias, tem-se, em uma ponta, a elite política, intelectual, empresarial, sindical. Na outra, a massa no sentido conferido por Ortega y Gasset -as manifestações desorganizadas, de manada.
As democracias se consolidam quando a elite consegue definir maneiras de ordenar a massa em torno de objetivos superiores, usando uma estrutura institucional que inclui Parlamento, imprensa, ordenamento jurídico etc. Cimentando esse ordenamento, existem idéias, conceitos que se legitimam por acenar com a melhoria das condições gerais de vida da população.
Do governo Sarney ao governo FHC, a ferramenta legitimadora da ação política foram os pacotes econômicos visando à estabilização. Pífias no plano econômico, eram instrumentos fortalecedores de ação política. A cada agravamento da governabilidade, se seguia um pacote que lhe devolvia provisoriamente o controle político.
FHC foi beneficiário da herança. O Plano Real deu-lhe a força política necessária para tocar o primeiro mandato. E sua extraordinária habilidade política permitiu-lhe, aos trancos e barrancos, manter o baixo clero sob controle até o final do segundo mandato.
Mesmo assim, desde 1999 estava claro que a falta de um projeto de país levaria inexoravelmente ao aparecimento de uma candidatura populista. Para sorte do país, quem encarnou essa candidatura foi Lula, montado em uma estrutura partidária organizada. Mas sua eleição apenas interrompeu provisoriamente a marcha do baixo clero.
À medida que seu governo, assim como o do antecessor, não conseguiu definir claramente um projeto de país, retoma-se o processo de esgarçamento político. A mídia deixa de ser um agente legitimador de ações públicas positivas, os formadores de opinião vão tirando o time de campo, as propostas de governo vão esmaecendo. A manipulação reiterada do discurso "técnico", por essa horda de cabeças-de-planilha, acaba por tirar a legitimidade de qualquer pensamento especialista. Dessa salada emerge Severino Cavalcanti (PP-PE), o novo rei.
Significa que o modelo político caminha para a barbárie? Não necessariamente. Significa que está na hora de o país dito civilizado acordar. O episódio Severino é um divisor de águas. Sem os limites de políticas legitimadoras, o baixo clero descobriu que não necessita mais das migalhas do poder: pode compartilhar de forma direta, impondo-se. Descobriu que o discurso técnico era álibi de grupos mais sofisticados para se apropriarem dos recursos do país. E eles querem, agora, sua parte no butim.
E nem adianta a dita opinião pública esclarecida bombardeá-lo de todas as maneiras possíveis, da crítica acerba à ridicularização, de argumentos racionais a preconceituosas. A massa se identifica cada vez mais com os Severinos.



Escrito por Aleixo às 14h39
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Desarmamento? De quem?

por Jefferson Patriota dos Santos em 22 de março de 2005

© 2005 MidiaSemMascara.org

Fiquei surpreso ao ver o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmar que a nova meta do governo federal para a campanha do desarmamento é recolher cerca de 500 mil unidades até o meio deste ano.

Ora, novamente vem o ministro dar ênfase a uma campanha direcionada, ou seja, que visa apenas retirar as armas das pessoas ordeiras, que têm endereço fixo, sem “capivara”, e que nunca cometeram nenhum tipo de crime, mas que tem uma arma para a sua própria defesa e de seus familiares.

Já ficou provado que desde o início do século, onde foram realizadas campanhas de desarmamento, os resultados foram assustadores. Em 1911, por exemplo, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915 a 1917, 1,5 milhão de armênios, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Já em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300 mil cristãos, impossibilitados de se defender, foram também caçados e exterminados.

Mais recentemente, na Inglaterra e no País de Gales, os crimes a mão armada, após campanhas de desarmamento, cresceram 35% logo no primeiro ano. Segundo o governo da Inglaterra, aconteceram 9.974 crimes com armas entre abril de 2001 e abril de 2002. No ano anterior, haviam sido 7.362 casos. Os assassinatos com armas de fogo registraram aumento de 32%. Segundo as Nações Unidas, Londres é considerada hoje a capital do crime na Europa.

Longe de qualquer tipo de comparação com os outros países citados, o Brasil também vive números de violência idênticos aos países vítimas com guerras declaradas. E ainda longe de comparações, não gostaria de continuar vendo a nossa população acuada e refém de uma criminalidade que cresce a cada dia – as estatísticas mostram isso. E ao invés do ministro da Justiça criar uma força tarefa nacional para desarmar os bandidos, vem novamente com uma nova fase da campanha do desarmamento para a população ordeira.

Será que não chegou a hora de inverter a situação e ir buscar as armas dos bandidos? Será que não é a vez da população ver caminhões saindo carregados com as armas utilizadas pelos traficantes? Será que não chegou a hora de vermos nas nossas fronteiras – por ar, pela água e pela terra – uma verdadeira operação de guerra para evitar que novas armas entrem no Brasil?

Ora, a população está cada dia mais assustada e amedrontada, e muitas vezes revoltada com medidas “paliativas” e “politiqueiras” para combater a violência, que aparentemente busca dar resposta para apenas um segmento da sociedade.

Quero minha liberdade novamente. Quero continuar tendo orgulho de ser brasileiro.

O autor é 3º sargento reformado da Polícia Militar do Estado de São Paulo e presidente da Assoc. dos Policiais Militares Deficientes Físicos do Estado de São Paulo.



Escrito por Aleixo às 16h49
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