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Fiquei surpreso ao ver o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmar que a nova meta do governo federal para a campanha do desarmamento é recolher cerca de 500 mil unidades até o meio deste ano.
Ora, novamente vem o ministro dar ênfase a uma campanha direcionada, ou seja, que visa apenas retirar as armas das pessoas ordeiras, que têm endereço fixo, sem “capivara”, e que nunca cometeram nenhum tipo de crime, mas que tem uma arma para a sua própria defesa e de seus familiares.
Já ficou provado que desde o início do século, onde foram realizadas campanhas de desarmamento, os resultados foram assustadores. Em 1911, por exemplo, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915 a 1917, 1,5 milhão de armênios, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.
Já em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300 mil cristãos, impossibilitados de se defender, foram também caçados e exterminados.
Mais recentemente, na Inglaterra e no País de Gales, os crimes a mão armada, após campanhas de desarmamento, cresceram 35% logo no primeiro ano. Segundo o governo da Inglaterra, aconteceram 9.974 crimes com armas entre abril de 2001 e abril de 2002. No ano anterior, haviam sido 7.362 casos. Os assassinatos com armas de fogo registraram aumento de 32%. Segundo as Nações Unidas, Londres é considerada hoje a capital do crime na Europa.
Longe de qualquer tipo de comparação com os outros países citados, o Brasil também vive números de violência idênticos aos países vítimas com guerras declaradas. E ainda longe de comparações, não gostaria de continuar vendo a nossa população acuada e refém de uma criminalidade que cresce a cada dia – as estatísticas mostram isso. E ao invés do ministro da Justiça criar uma força tarefa nacional para desarmar os bandidos, vem novamente com uma nova fase da campanha do desarmamento para a população ordeira.
Será que não chegou a hora de inverter a situação e ir buscar as armas dos bandidos? Será que não é a vez da população ver caminhões saindo carregados com as armas utilizadas pelos traficantes? Será que não chegou a hora de vermos nas nossas fronteiras – por ar, pela água e pela terra – uma verdadeira operação de guerra para evitar que novas armas entrem no Brasil?
Ora, a população está cada dia mais assustada e amedrontada, e muitas vezes revoltada com medidas “paliativas” e “politiqueiras” para combater a violência, que aparentemente busca dar resposta para apenas um segmento da sociedade.
Quero minha liberdade novamente. Quero continuar tendo orgulho de ser brasileiro.
O autor é 3º sargento reformado da Polícia Militar do Estado de São Paulo e presidente da Assoc. dos Policiais Militares Deficientes Físicos do Estado de São Paulo.