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Freada de arrumação na sociedade - Xico Vargas
Em cidades como o Rio e São Paulo, onde as pessoas urinam nas ruas, mendigos, desocupados e pequenos bandidos dormem pelas calçadas, motoristas fecham cruzamentos e atropelam sob o sinal vermelho, e camelôs enfiam bugigangas de contrabando no nariz dos passantes, não adianta pensar que a solução está no vigor da Guarda Municipal. O esfarelamento da ordem é indicação segura de que a sociedade perdeu o rumo e aceitou que se esgarçasse o respeito. Há quem defenda a aplicação regular de pancada seguida de um tempo no xadrez como freada de arrumação na baderna. Como a primeira hipótese é só mais um crime e a segunda não tem resposta no hoje moroso braço da lei, o secretário de Segurança do Rio, Marcelo Itagiba, alinhava uma proposta.
São vários itens que permeiam o conjunto de normas que regem a vida dos cidadãos, como as posturas municipais que ele defende mais rígidas. Ligando os pontos, dão forma a uma figura que poderá ser o ponto de partida para resgatar o respeito que a sociedade parece ter perdido por si mesma. Um dos emblemas dessa perda se expressa através do bando de mijões que os jornais estampam diariamente nas ruas das duas principais cidades do país. Itagiba os considera fruto do anonimato oferecido pelas megalópoles. De fato, em cidades pequenas, onde os moradores são mais facilmente identificáveis, existam ou não banheiros nas ruas a mesma contravenção detona uma comoção como fruto da repressão social.
Ao mesmo tempo, na grande cidade, se alguém for preso hoje por que fez xixi na calçada vai ser julgado quando? E até lá fica onde? E qual a prioridade desse julgamento em relação aos de milhares de assassinos, ladrões, traficantes e dúzias de colarinhos-brancos? Nas idéias que Itagiba agrupa, ao lado do aperto nas posturas municipais, a mudança passa pela estadualização da Lei de Contravenções Penais, que é federal e deixa de ser usada porque os estados são muito diferentes, e pela municipalização da polícia. Posta ao alcance da mão, a lei permitiria levar o transgressor (motorista, mijão, camelô, pirata) na hora ao martelo do juiz para receber multa, cadeia, repreensão, o que fosse. Não é novo, mas pode dar certo. Afinal, o sucesso de Nova York começou a ser construído quando a sociedade resolveu devolver ao agente do Estado a autoridade para representá-la.
Pode-se dizer que nem lá as coisas estão resolvidas. É verdade. Mas o tráfico de drogas, por exemplo, não está em cada esquina, como na noite de Copacabana. Não há vans que param em qualquer lugar, nem flanelinhas chantagistas e os motoristas conhecem o peso da expressão proibido. Claro que, no Brasil, onde é mais fácil expulsar as pessoas das calçadas do que procurar áreas de estacionamento permitido, mazelas tão entranhadas no comportamento são de cura difícil. Passam por mudanças constitucionais e inevitáveis batalhas contra lobbies de achacadores vários. Mas a transformação que já se pode ver na secretaria de Segurança indica que a proposta de Itagiba ganha músculos para chegar às ruas.
No QG que montou no quarto andar do velho prédio da Central do Brasil, onde salas revestidas por lambris de madeira nobre vêm sendo recuperadas de décadas de abandono, toma vulto uma operação que tem jeito de coisa boa. Andares acima da sala do secretário avança a montagem de um callcenter que já tem 21 e chegará a 100 posições. Para ali será transferida a recepção do telefone de emergência da polícia, o 190, acoplado a um conjunto de softwares capazes de localizar a origem geográfica do chamado nos mapas da cidade exibidos na tela de cada computador. Um sistema de monitoramento por satélite indicará o carro da polícia mais próximo para o atendimento.
Xico Vargas
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| Itagiba: Região Metropolitana sob controle |
 | Acima, ainda, do callcenter, numa sala com as dimensões de um auditório, à frente de um conjunto de bancadas dispostas em forma de anfiteatro, uma parede de telas está pronta para receber imagens de câmeras espalhadas pela cidade. É o Centro de Comando e Controle. Dali será possível observar o que acontece em toda a Região Metropolitana do Rio. Logo haverá 220 câmeras (10 na área de cada batalhão da PM) que poderão mirar também – incluindo as favelas – nas ocorrências informadas pelo 190. Isso se completa, se é possível usar a expressão em relação à segurança do Rio, com uma frota de mais cinco blindados (Caveirões, na linguagem do tráfico) para a PM e um para a Core, a Coordenação de recursos especiais da Polícia Civil.
Não será, portanto, por falta de recursos que o Rio terá dificuldade para encarar o crime ou dar apoio ao esquema de intimidação dos traficantes que começou a executar. Na sexta-feira, quando mais de mil homens da PM ocuparam ruas e favelas da Tijuca, na Zona Norte da cidade, a secretária Anita Carnavale chegou ao trabalho com uma frase que oferece a medida da vida do carioca: “Incrível”, dizia, “hoje na Tijuca dá para usar jóias na rua”. Nada garante, porém, que a violência no Rio seja fruto exclusivo da bandidagem do tráfico. Os registros da polícia mostram que em 71 assaltos cometidos contra turistas nesta temporada 99% dos autores têm endereço nas favelas.
Os números da Segurança assinalam a prisão de 75 chefes do tráfico (quase outro tanto morreu em guerras de quadrilhas e tiroteios com a polícia), 45 mil prisões e apreensão de 30 mil armas que estavam com bandidos em dois anos. Descontados os que a Justiça devolveu às ruas, a venda de drogas parece hoje entregue ao não menos sanguinário, mas bem menos experiente, segundo escalão da atividade. Isso talvez tenha ajudado a desenvolver tanto a venda de drogas nas próprias comunidades, onde nunca se cheirou como atualmente. Isso, segundo Itagiba, é outro ponto que precisa da atenção da sociedade.
A secretaria acaba de botar em curso uma novidade para o carioca. Abriu a porta para qualquer grupo de cidade que sentir necessidade de estratégia especial da polícia para proteger suas atividades. Semana passada a viúva do ex-governador Chagas Freitas, dona Zoé, buscou acolhida para seus tormentos. Interessada no que ocorre em torno do Centro Cultural Banco do Brasil, levou com ela gente do teatro, lojistas da área e donos de restaurantes. Localizado numa das franjas do Centro da cidade, o lugar estava meio complicado à noite e a freguesia em franca retirada. Ganharam um esquema especial que pode ser replicado em qualquer área da cidade onde o carioca perceba que está ventando contra a vida a que tem direito.
Escrito por Aleixo às 17h56
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Até o Bush já usou
Gravações indicam que Bush teria experimentado maconha
Gravações de conversas reservadas de George W. Bush, antes de ele se eleger presidente dos Estados Unidos, sugerem ele já teria experimentado maconha mas teria se negado a admitir em público para não dar mau exemplo.
Nas fitas, Bush ironiza Al Gore, seu adversário democrata nas eleições de 2000, por ter admitido que usou a droga.
A Casa Branca não negou a autenticidade do diálogo, classificado por um porta-voz como "conversas informais".
Quando Bush era governador do Texas, ele manteve várias discussões sobre as suas chances de disputar a Casa Branca com Doug Wead, um ex-assessor do ex-presidente George Bush pai.
Os diálogos, mantidos entre 1998 e 2000, foram gravados por Wead sem que Bush soubesse.
'Quero ser presidente'
Na fita, o futuro presidente explica por que se negaria a responder perguntas sobre se já havia fumado maconha.
"Eu não responderia a perguntas sobre maconha", diz ele. "Você sabe por quê? Porque eu não quero ver algum garoto fazendo o que eu experimentei."
Bush temia que uma admissão sobre o tema pudesse abalar a sua posição caso chegasse à Presidência.
"Você tem que entender, eu quero ser presidente, quero liderar", explica ele a Wead na gravação.
"Você quer que seu garoto venha e diga: 'papai, o presidente Bush experimentou maconha, acho que eu também vou experimentar'?".
Além de ironizar Gore, Bush também diz que o democrata é um "mentiroso patológico".
As conversas gravadas impressionam ao mostrar como desde cedo Bush percebeu que seria crucial para seu futuro político agradar os cristãos conservadores.
"Essas foram conversas informais do então governador Bush com alguém que acreditava ser um amigo", disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.
Escrito por Aleixo às 09h16
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Escrito por Aleixo às 13h25
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